Há alguns anos, falava-se muito que a diagramação de um álbum de casamento deveria ser atemporal.
Eu ouvia aquilo e pensava — na verdade, eu discutia, argumentava e defendia meu ponto de vista com certa paixão:
Ora, não será a diagramação que revelará a época daquele casamento.
Serão as fotografias.
Os cabelos, as roupas, as cores, a decoração, as gravatas, os costumes.
Um álbum de casamento não é atemporal.
Ele é a história viva de um tempo, de uma família.
As fotografias contam a história daquele dia, daquele casal que, nas primeiras páginas do álbum, ainda é noivo e noiva, mas que, nas últimas, já é marido e mulher. Já é uma família.
E isso é fascinante.
É um privilégio registrar essas histórias. E uma enorme responsabilidade contá-las através do meu olhar.
Sempre enxerguei um casamento como um grande quebra-cabeça composto por centenas de pequenas peças.
Cada fotografia é um fragmento da narrativa. Quando essas peças encontram seu lugar dentro de um álbum, a história se revela por completo.
Há uma mulher que acorda noiva e dorme esposa.
Há pais que acordam com o filho ou a filha em casa pela última vez para, ao final daquele dia, voltarem a ser também apenas um casal.
Há avós, tios, tias, irmãos, irmãs e amigos.
Testemunhas vivas de um momento singular e transformador: o nascimento de uma nova família.
O ciclo da vida.
Na prática, o que faz uma fotografia sobreviver ao tempo é algo bastante simples: guardar o álbum em local seco e fresco, longe da umidade, e manuseá-lo de vez em quando para que ele possa, como dizemos, "tomar um ar".
Mas o que realmente torna uma fotografia eterna é um conjunto de pequenas grandes coisas.
Eu fotografo pensando no álbum.
Procuro criar conexões entre os cliques, registrar aquilo que permanece quando todo o resto passa.
Gosto de fotografias que falam.
Fotografias que fazem barulho.
Fotografias que nos conduzem ao mais absoluto silêncio.
Gosto das que nos fazem sorrir junto.
E das que nos emocionam junto.
Ainda nos tempos da escola primária, meus pais conviviam com uma reclamação recorrente dos professores: eu era uma tagarela de primeira.
Não parava quieta.
Era a rainha dos "por quês".
E, principalmente, dos "e agora?".
Na fotografia de casamento continuo exatamente assim.
Tagarela.
Curiosa.
Ansiosa pelo que vem a seguir.
Cada clique é uma palavra.
Às vezes uma frase inteira.
Curiosa, procuro mostrar o que todos estão vendo de uma forma que talvez ninguém tenha percebido.
Ansiosa, mal consigo esperar pelo próximo clique, pela próxima história, pelo próximo suspiro.
No início da minha carreira, eu costumava usar um argumento que hoje considero um pouco injusto.
Eu dizia que, de todo o investimento feito em um casamento, apenas a fotografia permanecia.
As flores murchavam.
A comida acabava.
A música silenciava.
A maquiagem era removida.
O que sobrava era o meu trabalho.
Durante muito tempo acreditei nisso.
E, de certa forma, continua sendo verdade.
Uma verdade arrogante, talvez.
Mas uma verdade.
Com o tempo, porém, a maturidade me mostrou outra perspectiva.
As flores não fracassaram porque murcharam.
A música não desapareceu porque terminou.
A comida não perdeu seu valor porque foi servida.
Cada uma dessas coisas cumpriu seu papel naquele dia.
E sem tudo isso, o que haveria para ser registrado, afinal?
A fotografia não é mais importante.
Ela apenas recebeu uma missão diferente.
Guardar a memória.
Talvez seja por isso que até as fotografias feias sobrevivam ao tempo.
Porque o que as torna valiosas nem sempre é a técnica.
É a lembrança que carregam.
Com o passar dos anos, os vestidos mudam.
As flores mudam.
Os penteados mudam.
A forma de fotografar muda.
Até mesmo a maneira como olhamos para uma fotografia muda.
Mas algumas coisas permanecem.
O amor daquela mulher que acordou noiva e dormiu esposa.
O orgulho silencioso dos pais.
O abraço apertado da avó.
O olhar cúmplice entre irmãos.
A emoção de quem testemunhou o nascimento de uma nova família.
Talvez seja isso que faça uma fotografia sobreviver ao tempo.
Ela não preserva apenas a aparência das coisas.
Ela preserva aquilo que permanece quando todo o resto muda.
Sobre a autora
Fernanda Marques é mãe, esposa e fotógrafa documental de casamentos desde 1998. Autora e palestrante, construiu sua trajetória contando histórias reais de casais e famílias. Ao lado do marido, Reinaldo Martins, compartilha a vida e também a fotografia. Para ela, uma imagem não registra apenas o que aconteceu. Ela preserva emoções, vínculos e instantes que um dia se transformarão em legado para as próximas gerações.


